Bolsonaro é carta fora do baralho e PL vai definhar em Goiás e no Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve receber a denúncia dia 25, terça-feira, e Bolsonaro, juntamente com os generais Braga Neto, Augusto Heleno, o almirante Almir Garnier, o delegado Alexandre Ramagem, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e outros asseclas bolsonaristas.

Bolsonaro é carta fora do baralho e PL vai definhar em Goiás e no Brasil
Foto: Divulgação

Marcus Vinícius de Faria Felipe

O Partido Liberal é carta fora do baralho na política goiana e nacional. O PL ficou marcado pela denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 32 pessoas por tentativa de golpe de Estado. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve receber a denúncia dia 25, terça-feira, e Bolsonaro, juntamente com os generais Braga Neto, Augusto Heleno, o almirante Almir Garnier, o delegado Alexandre Ramagem, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e outros asseclas bolsonaristas.

Antes mesmo do julgamento do pai, o “filho 03”. Eduardo Bolsonaro empreendeu fuga para os Estados Unidos. Apelidado de “Bananinha”, pelo general Heleno, Eduardo Bolsonaro inventou uma desculpa para não ter o mesmo destino do pai, que será a prisão por conspirar contra a democracia no Brasil.

Deputados cassados

Vários outros bolsonaristas enfrentam problemas na Justiça. Deputado federal por Goiás, Gustavo Gayer (PL), é investigado pela Polícia Federal por acusações de peculato e corrupção por suposto uso da verba parlamentar para pagamento de serviços através de uma empresa de sua propriedade. Gayer também é alvo de pedido de cassação pelo presidente do Congresso Nacional, o senador Davi Alcolumbre (UB-AP).

Alvo de um escândalo que envolve denúncia de suposto crime de pedofilia, o deputado federal Alcides Ribeiro deixou o PL. Diante da exposição negativa de seu nome, é pouco provável que o Professor Alcides dispute a reeleição em 2026.

No dia 30 de janeiro, a deputada Carla Zambelli (PL-SP), que teve o seu diploma de deputada federal, cassado pelo TRE-SP  (Tribunal Regional Eleitoral) por maioria de votos (5×2) por abuso de poder político e agora enfrenta julgamento no STF. Três ministros já votaram para Zambelli (PL-SP) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. Os ministros Gilmar Mendes, Carmen Lúcia e Alexandre de Moraes, votaram pela sua condenação, que vai levar a 5 anos de prisão em regime semiaberto e perda do mandato.

Perda de prefeitos

Com esses reveses, é improvável que o PL tenha protagonismo nas eleições de 2026. Em Goiás o principal nome do partido é o senador Wilder Moraes, que não dá sinais de que será candidato ao governo de Goiás, sobretudo após sua legenda perder seis dos 26 prefeitos eleitos em 2024 para o União Brasil, do governador Ronaldo Caiado (UB).

Entre os prefeitos que vazaram do PL estão Simone Ribeiro (Formosa), Jacó Rotta (Cabeceiras), Dr. Luís Otávio (Cristalina), Wivviane Duarte (Gameleira de Goiás), Dr Vitor (Santa Fé de Goiás), e Tiagão (Pilar de Goiás). A estes devem se juntar o prefeito de Anápolis, Márcio Correia e Maycllyn Carreiro (Morrinhos).

Aceno a Daniel e Caiado

Ciente de que será condenado e preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) trabalha em duas frentes. A primeira  é tentar manter o maior número de deputados federais e senadores para o PL, a segunda, tentar repetir a trajetória do presidente Lula (PT), que manteve enquanto pode a sua candidatura à presidência, mesmo diante da prisão ilegal a que foi submetido pela Operação Lava Jato.

Em relação às eleições parlamentares de 2026, Jair Bolsonaro pretende garantir maioria do PL na Câmara e no Senado visando emplacar uma lei de anistia, que livraria ele e seus asseclas da cadeia, e, de quebra, o sonhado (por ele Bolsonaro) impeachment do ministro Alexandre de Morais.

Em Goiás, Bolsonaro sinalizou com a indicação do Major Vitor Hugo, como candidato ao Senado na chapa do vice-governador Daniel Vilela (MDB), virtual candidato à sucessão do governador Ronaldo Caiado (UB). Nem Daniel, nem Caiado, sinalizaram topar a aliança.

É por isso que Bolsonaro (ainda) não fugiu como o filho 03. Ele quer se manter ativo ao máximo para tentar manter capital político capaz de influenciar nas eleições presidenciais de 2026.

Bolsonarismo definhando

Mas a vida não tá fácil para o ex-capitão. A minguada audiência da manifestação de Copacabana, quando esperava 400 mil pessoas e só compareceram 18,3 mil, abalou a estratégia do ex-presidente.

Bolsonaro sonha em manter a sua candidatura à presidência até que a sua virtual prisão, copiando aquilo que foi realizado pelo seu principal adversário, sete anos atrás.

Alvo de inúmeros processos do ex-juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, Lula só teve o nome indeferido para concorrer à presidência no dia 1º de setembro de 2018 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa (que os deputados bolsonaristas querem derrubar na Câmara Federal).

Bolsonaro quer fazer o mesmo percurso, e assim como Lula foi substituído por Fernando Haddad (PT) na cédula eleitoral, ele sonha em colocar um dos filhos, provavelmente Flávio Bolsonaro, para disputar a presidência em nome do clã.

Há, no entanto, diferenças substanciais entre o que quer Bolsonaro e a realidade objetiva.

Em 2018, Lula e o PT mantiveram os partidos progressistas unidos numa candidatura que, contra todas as dificuldades impostas pelo law fare lavajatista, logrou levar Fernando Haddad ao segundo turno. Bolsonaro, no entanto, enfrenta uma direita rachada, que não quer proximidade com um candidato que enfrenta acusações gravíssimas de roubar joias, falsificar cartão de vacina e e tramar a abolição violenta do Estado de Direito, que previa o assassinato do presidente (Lula) e do vice-presidente eleitos ( Geraldo Alckmin) e de um ministro do STF (Alexandre Moraes).

Os prováveis candidatos do campo conservador querem os votos de Bolsonaro, mas não se dispõe se imolar na fogueira ao qual o “mito” está para ser lançado. A prova disso é a ausência dos governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (UB-GO) e Ratinho Jr. (PSD-PR) do palanque montado em Copacabana no último domingo (16/03). Nem mesmo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi lá, pagar o mico. Os únicos que postaram ao lado de Bolsonaro foram Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Melo (PL-SC), que são, justamente, os governadores indubitavelmente identificados com Bolsonaro e o bolsonarismo.

Bolsonaro e o bolsonarismo seguem como um zumbi na política brasileira e caminham para a cova, mais cedo do que se pensa.

Fonte: Onze de Maio